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Utilização do ENVI no Estudo Multitemporal de Imagens Landsat

Equipe Geo Sem Fronteiras6 de julho de 20205 min de leitura

Utilização do ENVI no estudo multitemporal de imagens Landsat da fragmentação e perda de habitat na região de Novo Progresso, no Sul do Estado do Pará.  


1 - Introdução A modificação da paisagem e fragmentação de habitat tem se tornado um dos principais temas da biologia da conservação. Elas são consideradas ameaças severas a biodiversidade global e acredita-se que seus efeitos negativos influenciam diversos grupos taxonômicos - Fischer e Lindenmayer (2007). A destruição do habitat tipicamente leva à fragmentação, a divisão deste em fragmentos menores, isolados e separados por uma matriz de uso e cobertura transformada pelas atividades humanas - Haddad et al (2015). O processo global de fragmentação de habitats é, possivelmente, a mais profunda alteração causada pelo homem ao meio ambiente. Muitos habitats naturais que eram quase contínuos foram transformados em paisagens semelhantes a um mosaico, composto por manchas isoladas de habitat original. Considerando a fragmentação como a alteração de habitats, o resultado deste processo é a criação, em larga escala, de habitats ruins, ou negativos, para um grande número de espécies - Cerqueira et al (2003). Este artigo mostra um estudo multitemporal da fragmentação e mudanças no uso da terra, provocados pelo desmatamento ao longo da BR 163, em Novo Progresso - PA. Palavras-chave: perda de habtat; bioma amazônico e fragmentação.


2 - Fragmentação de Habitats florestais**.** A fragmentação florestal e efeitos de borda provindos do desflorestamento têm sido identificados como um dos processos mais deletérios que ocorrem nos trópicos atualmente - Gascon et al (2000) ; Broadbent et al (2008). Dados de satélite em alta resolução espacial revelam que o desflorestamento, o qual já se espalhou amplamente nas regiões temperadas e aumentou nos trópicos desde metade do século passado têm resultado na perda de mais de 1/3 de toda cobertura florestal mundial - Haddad et al (2015). Nas regiões neotropicais, a ação humana tem também levado ao corte raso de florestas primárias para implantação de projetos de desenvolvimento como agricultura, pecuária e mineração. Por conta disso, as paisagens das regiões neotropicais vêm sofrendo intensa fragmentação com paisagens dominadas por extensas áreas desflorestadas - Laurance et al (2002); Felfili (2003); Broadbent et al (2008); Gazoni (2011). Tomando-se como exemplo o território Brasileiro, constata-se que aos maiores ganhos de cobertura florestal neste período ocorreram nas regiões sul e sudeste (estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e sul da Bahia); as perdas mais substanciais foram registradas nos estados integrantes da Amazônia Legal.


3 - Área de estudo A área selecionada para estre estudo foi a região de Novo Progresso, localizada na parte sul do estado do Pará, ao longo da BR-163, como pode ser observado na figura 1, devido à grande influência antrópica naquela região geográfica. Figura 1. Região de Novo progresso – PA. (Fonte: Google Maps).


4 - Metodologia Empregada Foram utilizadas ferramentas de geostatística do ENVI, para o cálculo da progressão das mudanças do uso da terra entre os anos de 1999 a 2015, com base em imagens multitemporais dos sensores Landsat 5, Landsat 7 e Landsat 8, com orbita/ponto: 227/65, conforme figura 2, onde se destaca ao centro a BR-163, ao longo da qual o padrão de ocupação em “espinha de peixe” pode ser observado. Figura 2. Imagens da área de estudo dos anos 1999, 2003, 2005, 2008, 2010 e 2015, onde o significado das cores é: azul: corpos d’água, verde: vegetação nativa, amarelo: áreas de transição e vermelho: áreas desmatadas.


5 - Resultados e discussões 5.1 Cálculo do desmatamento Com base na área abrangida pelas imagens, calcularam-se os valores referentes ao percentual de desmatamento (figura 3). Figura 3. Progressão do desmatamento em dados percentuais. 5.2 Comparação entre extremos Utilizando as imagens extremas (anos 1999 e 2015), sem o artifício da classificação, pode-se observar claramente a extensão de área desmatada num período de 16 anos, conforme se observa na figura 4, constatando-se um aumento de 5256,96 Km2 de área desmatada nesse período, aproximadamente o tamanho do estado insular de Trinidad e Tobago. Figura 4. Comparação das áreas desmatadas entre 1999 e 2015.


6 - Conclusões As análises mostram que a influência da matriz antrópica na região estudada tem influenciado fortemente o desmatamento ao longo da BR 163, tornando a região de Novo Progresso um dos principais polos de desmatamento da Região Amazônica e que, a partir de 2008, o processo de desmatamento sofreu uma aceleração. No que tange à Amazônia, com altas taxas de desflorestamento e fragmentação, políticas de prevenção e combate ao desmatamento, teriam maior eficácia se a fiscalização do estado viesse atrelada à melhoria das condições socioeconômicas das populações locais (oferta de trabalho em atividade legalizada, educação, saúde, segurança, água potável, esgoto tratado, energia, etc). Ao contrário disso, a ineficiência do estado nestas questões tem incentivado ainda mais a prática de crimes ambientais nestas regiões.


7 - Referências Bibliográficas

  • Cerqueira, R. et al. (2003). Fragmentação: alguns conceitos. p.24-40. In: Rambaldi, D. M.; Oliveira, D. A. S. (orgs.). Fragmentação De Ecossistemas: Causas, efeitos sobre a biodiversidade e recomendações de políticas públicas. Brasília: MMA/SBF, 2003. ISBN – 87166-48-4. 510 p.
  • Felfili, J. M. (2003). Fragmentos de Florestas Estacionais do Brasil Central: diagnóstico e proposta de corredores ecológicos. p.139-160. In: Costa, R. B. C. (org.). Fragmentação Florestal e Alternativas de Desenvolvimento Rural na Região Centro Oeste. Campo Grande: ed. UCDB, 2003.
  • Fischer, J.; Lindenmayer, D. B. (2007). Landscape modification and habitat fragmentation: a synthesis. Global Ecology and Biogeography, 16, p. 265–280.
  • Gascon, C.; Williamson, B.G.; Fonseca, G.A.B. (2000). Receding forest edges and vanishing reserves. Science 288, p.1356–1358.
  • Gazoni, J. L. (2011). A contribuição relativa das forças primárias do desmatamento na Amazônia. Tese de Doutorado. Centro de Desenvolvimento Sustentável. Universidade de Brasília, Brasília. 229p.
  • Haddad, N. M. et al. (2015). Habitat fragmentation and its lasting impact on Earth’s ecosystems. Sci. Adv. 2015; 1:e1500052, p.1-9.
  • Laurance, w. f. et al. (2002). Ecosystem Decay of Amazonian Forest Fragments: a 22-Year Investigation. Conservation Biology, V.16, n.3, Junho (2002), p.605-618.

por Carlos Alberto Branco Marinho – Dr. Professor e Especialista em Sensoriamento Remoto Geo Sem Fronteiras contato@geosemfronteiras.org

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